Sábado, 24 de Novembro de 2007
http://papers.evidosol1.0.textolivre.org/pub/programacao/1
[15:31:12] <acris> O texto que eh resumo desta mesa redonda
[15:31:20] <acris> foi o primeiro texto que usamos
[15:31:35] <acris> com as primeiras turmas que vislumbraram o Texto Livre
[15:31:43] <acris> queriamos que os alunos pensassem
[15:31:59] <acris> que historia eh essa de um tal de bom portugues morrer por causa da internet?
[15:32:17] <acris> Fizemos uma enquete com respostas as mais absurdas
[15:32:46] <acris> E hoje tomamos a liberdade de refazer a pergunta para profisssionais das duas areas
[15:33:05] <acris> da area de linguistica, o semioticista Jose Luiz Fiorin
[15:33:38] <acris> da area de software livre, Sicero Zeferino Filho e Tulio Vianna
[15:34:15] <acris> o Julio Neves nos escreveu pedindo desculpas, mas uma viagem a Portugal complicou sua agenda e ele nao podera participar
[15:34:40] <acris> Vamos comecar com o prof. Fiorin
[15:34:48] <acris> boa tarde, Fiorin, tudo bom?
[15:35:34] <Fiorin> Tudo bem. Bom, todos devem ter visto o texto que enviei. Nele digo que o portugês não vai morrer por causa da internet.
[15:36:09] <acris> sim, o texto esta publicado no endereco: http://www.letras.ufmg.br/arquivos/matte/ievidosol/Fiorin.pdf
[15:36:59] <acris> Fiorin, voce prefere fazer uma introducao aqui ou gostaria de iniciar logo um debate com os presentes?
[15:37:21] <Fiorin> Se vocês quiserem, posso resumir meus argumentos.
[15:37:40] <acris> acho que seria interessante, sim, por favor
[15:38:37] <Fiorin> A internet não está levando o português à decadência, porque ela não está promovendo nenhuma alteração no sistema de sons, no sistema gramatical e no que chamamos o fundo léxico comum.
[15:38:54] <Fiorin> Portanto, não está havendo nenhuma mexida na língua propriamente.
[15:39:39] <Fiorin> Os dois problemas que aparecem são: 1) alterações na ortografia, que não é a língua, mas é uma representação gráfica das formas da língua;
[15:40:01] <Fiorin> 2) há uma simplificação na maneira de produzir os textos.
[15:40:44] <Fiorin> Com relação à ortografia, o que se observa é que há uma simplificação com vistas a uma digitação mais rápida.
[15:41:21] <Fiorin> No entanto, essa simplificação é absolutamente regrada: por exemplo, eliminam-se as vogais, quando se puder ler a palavras apenas com as consoantes;
[15:42:50] <Fiorin> (note-se que, no início da escrita alfabética, que surgiu entre as línguas semíticas, que têm uma alternância vocálica muito regular, não havia vogais. Grafafam-se apenas as consoantes, o que se faz ainda em árabe, por exemplo
[15:43:43] <Fiorin> os grupos de letras são substituídos por uma letra que representa o mesmo som (aqui > aki). E assim sucessivamente.
[15:44:13] <Fiorin> Quanto à simplificação na maneira de textualizar, isso se deve ao fato de que a internet está criando novos gêneros discursivos.
[15:45:15] <Fiorin> Um gênero é caracterizado por uma temática, uma estrutura composicional e um estilo. Os gêneros próprios da internet (chat, mails, etc.) situam-se entre a escrita e a oralidade.
[15:45:34] <Fiorin> Por isso, eles têm um estilo que se aproxima da oralidade.
[15:46:37] <Fiorin> Nada disso vai acabar com a língua. É preciso abolir essa visão apocalíptica conservadora, que preconiza o fim do mundo a cada mudança. Acho que esses são meus argumentos principais.
[15:47:52] <acris> Obrigada, Fiorin. Esta aberto a perguntas
[15:48:09] <Fiorin> Aliás, é sempre bom pensar que as línguas não decaem nem progridem. Elas mudam. No entanto, as mudanças que estão ocorrendo no português nada têm a ver com a internet./
[15:48:25] <Dani_Re> mas será que a língua em sua modalidade formal pode estar condenada, Fiorin ?
[15:49:32] <Fiorin> Dani, não acredito, pois cada gênero tem suas exigências e os gêneros que exigem uma modalidade formal, vão muito bem: editoriais, notícias, ensaios, etc. (mesmo quando veiculados pela internte).
[15:50:19] <acris> Fiorin: existiria uma única modalidade formal? ou isso pode mudar segundo o gênero?
[15:50:59] <Fiorin> Agora, houve uma simplificação geral dos texto, do início dos anos 50 para cá. Isso nada tem a ver com a internet. A meu ver, isso se deve a uma democratização da relações sociais.
[15:51:29] <woodsonfc> E quanto ao processo de extinção das línguas? há possibilidade de uma convergência em torno de línguas mais usadas na Internet?
[15:51:57] <Fiorin> Cris, há níveis diferentes de formalidade, segundo o gênero. Por exemplo, dizemos que as formas de 2ª pessoa desapareceram, mas, nas orações, elas são usadas. Emprega-se tanto o tu, quanto o vós.
[15:53:01] <Fiorin> Bom, é verdade que o inglês é a língua universal dos dias de hoje. No entanto, o desaparecimento de um idioma deve-se a causas muito complexas. Por exemplo, o basca pelo critério puramente utilitário deveria ter desaparecido:
[15:54:08] <Fiorin> é falado por um número relativamente pequeno de pessoas, que conhecem um idioma de circulação internacional, o espanhol. No entanto, como o basco marca a identidade de um povo que luta para não ser integrado por outro, permanece.
[15:54:30] <oheremita> Fiorin: Essa "modalidade formal" com o tempo (muito tempo), não tende a se tornar como os nomes cientificos (em latin), apenas para registro cientifico/academico?
[15:54:58] <Fiorin> Diria que o português permanecerá, enquanto for a língua com a qual sussuramos palavras de amor, fofocamos, gritamos de prazer, conversamos com os amigos, etc.
[15:55:42] <Fiorin> oheremita, penso que não, já que os gêneros que exigem a modalidade formal têm um papel muito relevante na sociedade./
[15:56:01] <acris> Fiorin: ainda pensando na questao de uma modalidade formal única: eu concordo plenamente contigo sobre haver uma categoria formal/informal e que os textos variam a distancia de seus extremos conforme o genero. Mas voce acha que todas as mudancas sao de formalidade? Por exemplo: entre a modalidade formal juridica e a modalidade formal da área de literatura, a meu ver muda muito mais que o uso de uma suposta lingua padrao
[15:57:03] <Fiorin> No entanto, é verdade que a modalidade formal hoje é menos embolorada do que era há um 50 anos. Um dos chamados cronistas mineiros, não me lembra qual, disse que um locutor esportivo narrou da seguinte maneira a entrade de um médico palmeirense no campo para atender um jogador:
[15:58:41] <Fiorin> "Adentra o gramado o facultativo esmeraldino para pensar a contusão do filho do divino mestre, mola propulsora do eleven periquito." Nenhum locutor esportivo fala mais desse jeito. Quando Mário de Andrade, escreveu o Macunaíma (década de 20), ele já ridicularizava essa escrita com um sabor arcaizante./
[15:59:06] <dilson> O senhor acredita que a internet estaria acelerando o processo natural de evoluçaõ da língua fazendo com que mudanças que demorariam décadas para ocorrer aconteçam em poucos anos? Em que medida isso se relacionaria à criação de novos gêneros?
[16:00:40] <Fiorin> Cris, você tem razão. De um lado, existem graus de formalidade; de outro, nem todas as mudanças dizem respeito ao nível de formalidade. Agora, a linguagem júrídica não é formal, é arcaizante, o que é diferente; por outro lado, são muitas as variáveis que interferem na mudança lingüística.
[16:01:58] <Fiorin> Por exemplo, estamos assistindo a uma reorganização do sistema pronominal pelo desaparecimento das formas de segunda pessoa e a consqüente colisão homonímica que ocorre com os pronomes objeto de terceira pessoa, o que leva a que o lhe passe a funcionar como pronome acusativo.
[16:02:02] <Tulio> Mesmo a linguagem jurídica tem sofrido significativas mudanças... os juristas mais novos têm abandonado o latinório e os arcaísmos, tornando os documentos jurídicos menos herméticos e mais acessíveis aos jurisdicioandos
[16:02:55] <Fiorin> Túlio, é verdade. Mas ainda há resistências muito fortes no meio jurídico. Todos adoram uma citaçãozinha em latim.
[16:03:22] <Tulio> Geralmente os juristas mais velhos... o pessoal da minha geração quase já não usa mais
[16:04:29] <woodsonfc> O Espanhol se universalizou com a evolução das mídias, hoje, aparentemente o português segue caminho semelhante ou o fenômeno do espanhol se deveu a causas diversas do portugués
[16:04:41] <Fiorin> Dilson, é verdade que a internet pode acelerar mudanças. No entanto, é preciso notar que a internet não produz mudanças no sistema fônico, gramatical e no fundo léxico comum. Portanto, a internet não é fato do que se chama a mudança lingüística stricto sensu (veja aí, Téulio, que não resiste a uma expressão em latim).
[16:04:43] <woodsonfc> ?
[16:05:17] <Fiorin> Túlio, de qualquer forma, a linguagem jurídica tem um grau de formalidade maior do que a de outras esferas de atividade.
[16:06:10] <Tulio> O problema é que alguns advogados confundem linguagem téncnica (e, portanto, precisa e sem muitas adjetivações) com linguagem rebuscada
[16:07:07] <Fiorin> É preciso distinguir, quando falamos em gênero, esfera de atividade (por exemplo, a do direito, a da religião, a da escola, a do jornalismo, etc. ) e gênero (que são as formas relativamente estáveis que se usam dentro das atividades: por exemplo, na esfera jurídica, os gêneros são a petição, a sentença, etc
[16:07:08] <Tulio> Um texto técnico bem escrito decididamente é o oposto de linguagem rebuscada
[16:07:35] <acris> bom, a lingua esta sempre mudando, mas trata-se de uma mudanca muito lenta, que so se pode verificar em longos periodos de tempo. nao haveria um problema social em relacao a questao da linguagem na internet? Porque, a meu ver, isso so comecou a ser discutido depois que a internet se popularizou. Hoje todo mundo pode nao so usar a comunicacao imediata como essa que temos aqui como tambem publicar seu proprio blog, fazer seu jornal de noticias
[16:08:16] <Fiorin> Sabe, Túlio, nem sempre. No âmbito da linguagem, é difícil haver alguma coisa gratuita. Durante muito tempo, a linguagem rebuscada criava uma imagem de competência para seu autor e isso tinha um papel argumentativo muito forte.
[16:08:22] <Tulio> os bons juristas mais novos já evitam a linguagem rebuscada... geralmente aqueles sem uma formação mais sólida, no entanto, insistem nos arcaísmos até como forma de compensar a ausência de conteúdo téncico... mas mesmo entre nós já é considerado demodé...
[16:09:34] <Fiorin> Túlio, crio que não se pode dizer apenas que a insistência nos arcaísmos compensa a ausência de conteúdo técnico. Aracísmos podem ter um papel argumentativo forte.
[16:10:04] <rafael__> ola, queria fazer uma pergunta, a evolucao da lingua pode ser lenta, mas o fato do mundo todo atualmente estar evoluindo rapido, nao faz com que a lingua tambem evolua (mude) e que a Internet seja so mais um dos meios pelo qual mudancas ocorrem ?
[16:10:16] <woodsonfc> O espetáculo que vi na TVJustiça no julgamento do mensalão foi o uso de uma linguagem bem rebuscada
[16:10:18] <Moreira> Fiorin, hj em dia as crianças estão crescendo tendo esse contato com a "lingua internetês", não acha que qdo estiver sendo alfabetizada ela não vai confundir?
[16:10:26] <Tulio> Será? Eu creio que os arcaísmos até dificultam o entendimento da arguemntação
[16:11:05] <Fiorin> Cris, acho que se começa a discutir depois da internet, porque o que horroriza as pessoas é a forma como se grafam as palavras. No entanto, nossa escola nunca foi muito forte no ensino de ortografia. Basta ver os erros que pululam por toda a parte.
[16:11:07] <acris> Bom, mas lingua continua sendo instrumento de poder. "falar dificil" continua sendo um argumento de poder...
[16:11:15] <Tulio> Os ministros do STF ainda são de uma geração que curte um arcaísmo hehehehe
[16:12:22] <Fiorin> Concordo com a Cris. Muitas vezes, não preciso entender para ser persuadido. A persuasão tem a ver com o crer e uma imagem de competência de quem produz o texto pode ser tão argumentativa quanto a exposição ordenada de razões.
[16:12:57] <woodsonfc> E a linguagem rebuscada ainda tem um apelo, pelo menos no que diz respeito ao Ethus do Juiz, diversamente do Ethus do Presidente da República
[16:13:33] <Moreira> o problema ñão é com a fala, é realmente a questão da escrita, principalmente no que diz respeito à ortografia
[16:14:13] <Dani_Re> Tulio: entre dois advogados que argumentam muito bem, mas em que um use linguagem mais rebuscada e outro menos, qual seria mais respeitado?
[16:14:20] <acris> eu pensei nessa questao social, porque antes de termos um acesso mais facil a internet, ja tinhamos professores de escola de periferia obrigando seus alunos a usarem uma modalidade de lingua que, para eles, no maximo so faria sentido na escrita. Desse modo o aluno eh sempre "alguem que nao sabe" enquanto o professor sobe a um patamar superior (aquele que sabe). E, como disse o Fiorin, as criancas continuam saindo das escolas sem saber escrever dentro
[16:14:20] <acris> dos padroes formais
[16:14:37] <Tulio> Isso certamente tem este efeito quando se fala para um público leigo... mas entre os profissionais da área, decididamente isto não impressiona mais... muito pelo contrário, a maioria sairá com a impressão de que o rebuscado é um "Rolando-Lero"
[16:14:54] <Fiorin> Não nos esqueçamos de que já os gregos distinguiam os raciocínios necessários (aqueles cuja conclusão decorre necessariamente das premissas, campo da lógica) dos raciocínio preferíveis (aqueles cuja conclusão não decorre necessariamente das premissas, campo da retórica). Este último é o campo dos negócios humanos, onde atua a odireito, a política, etc. Ele não é menor do que o da lógica, é diverso./
[16:15:42] <dilson> Como já dízia Cícero, a persuasão se dá tanto pela emoção quanto pela razão...
[16:15:50] <Dani_Re> Tulio: eu seria capaz de garantir o contrário se os dois estivessem falando para outras áreas...
[16:16:21] <oheremita> Moreira: a escrita da internet acaba sendo um registro e se for na grafia errada, aí temos um problema.
[16:16:40] <Moreira> se a criança , ou mesmo o adulto, ficar escrevendo como fala, ela não teria dificuldade em escrever bem ortograficamente falando?
[16:17:04] <Tulio> Se um advogado falar "bonito" para alguém de outra área, talvez ele se deixe impressionar... entre nós, creio que atualmente passa uma imagem pedante e sem conteúdo... algo como um intelectualóide...
[16:17:10] <Moreira> oheremita, concordo com vc
[16:17:44] <woodsonfc> Penso na questão da "memória sinestésica" em que a escrita é adquirida pela repetição, desfazer um condicionamento em termos pedagógicos é pior que alfabetizar do zero
[16:18:01] <Tulio> isso é visível na própria internet... nos sites de advogados, vocês não encontrarão linguagem pedante
[16:18:26] <Tulio> pelo contrário: a idéia é ser inteligível para atrair o cliente
[16:18:47] * acris esqueceu de avisar: o oheremita eh o Sincero Zeferino Filho :)
[16:18:51] <Tulio> vejam também os sites de notícias jurídicas que são em linguagem formal, mas sem muita firula
[16:18:56] <Fiorin> Não consigo digitar com a pressa que seria necessária. Aí atrás levantaram uma questão interessante: a ortografia da internet não vai confundir o estudante. Não, se ele for bem alfabetizado. Nós mesmos, quando tomamos nota, usamos abreviações. Nem por isso as utilizamos, quando não estamos tomando nota. É claro que a aquisição da ortografia é a aquisição de uma imagem. Bom, mas esse é um problema com qua a escola tem que lidar, como
[16:19:10] <oheremita> acris: rssss
[16:19:11] <Dani_Re> mas e na escrita de textos técnicos da área jurídica, Tulio ?
[16:19:24] <Dani_Re> a mudança tbm se dá?
[16:20:02] <Tulio> sim, os textos continuam formais, mas sem muitas adjetivações... estão saindo de moda... é uma mudança gradual, mas está ocorrendo
[16:20:36] <Fiorin> Ninguém escreve como fala exatamente. Todo mundo que já teve aula de fonética e aprendeu a transcrever a fala, sabe que a ortografia é sempre uma abstração.
[16:21:12] <Tulio> o próprio uso do DR para se referir ao advogado já está sendo corretamente questionado... no meu blog houve uma discussão acirrada sobre o equívoco de se usar o doutor para se referir a médicos e advogados
[16:21:24] <woodsonfc> Acho que a exigência de eficácia se imporá ao do espetáculo na produção jurídica, não acham?
[16:21:32] <acris> e mesmo na internet, nao, Fiorin? as pessoas pensam qu escreve-se no msn o mais proximo possivel da fala, mas nao eh verdade
[16:21:59] <Fiorin> Túlio, você tem razão. Está havendo uma simplificação também no discurso jurídico, mas, de qualquer forma, ele é, assim como o discurso científico, um discurso extremamente formal.
[16:22:52] <Tulio> O espetáculo no mundo jurídico ainda vai continuar por um bom tempo, mas aos poucos os colegas estão entendendo que ele tem que ele não é propriamente poético hehehehe
[16:23:50] <Tulio> Sim, formal, sem dúvidas! Mas a objetividade científica requer um discurso formal mesmo...
[16:23:54] <Dani_Re> Tulio: acho que a questão da formalidade não deve ser vista como negativa, mas como uma necessidade para maior alcance
[16:24:19] <Fiorin> Claro, Cris. Você é que é a especialista aqui na matéria. Observem uma coisa as pessoas escrevem a, i e u no final de palavras: leiti, denti. Isso é uma questão fonológica, porque só essas vogais ocorrem em final em português. No entanto, elas não alteram o t ou o d, antes de i, apesar de pronunciarmos essas consoantes não como dentais.
[16:24:40] <Tulio> Aliás, me entendam bem: a formalidade necessária é do uso da 3ª pessoa, por exemplo e não dos "Exa" da vida...
[16:24:40] <oheremita> Dani_Re: Acho que maior alcance no tempo
[16:24:50] <acris> woodsonfc: me parece que o problema nao eh que as criancas tenham que escrever sempre "certo" pra aprender a escrever "certo", acho que a escola precisa aprender a lidar com a diversidade de genero na hora em que ensina lingua para criancas e adolescentes
[16:25:35] <Fiorin> Claro, Túlio. Isso é que Bakhtin considerava a exigência do gênero. Agora, o que não pode é eu olhar os gêneros que não exigem nenhuma formalidade, ao contrário requerem informalidade e dizer que a língua está em decadência.
[16:25:42] <woodsonfc> Seria por acaso a questão do "entendimento" versos a "precisão" no texto jurídico o problema maior?
[16:27:16] <Tulio> a linguagem jurídica deve ser técnica. Eu não posso usar furto e roubo como sinônimos... isto é uma formalidade necessária tanto para a precisão quanto para o entendimento...
[16:27:19] <Fiorin> Vejam, a metalinguagem de cada área é necessária, para que se possa tratar o mundo com precisão. Por exemplo, roubar é sinônimo de furtar na linguagem comum. No entanto, no universo jurídico, é preciso distinguir essas duas coisas, pois elas têm conseqüências muito diversas.
[16:27:46] <Fiorin> Que gozado, Túlio! Escrevemos o mesmo exemplo ao mesmo tempo.
[16:27:49] <Tulio> vc também lê pensamentos?
[16:27:51] <Tulio> hahahahaha
[16:27:53] <oheremita> acris: Então devemos cuidar do preparo da escola, para lidar com este novo modo
[16:28:09] <acris> :)
[16:28:17] <Dani_Re> :)
[16:29:09] <acris> sim, oheremita, mas acho que a escola esteve aprendendo ha muito tempo... as coisas das quais nos falou Paulo Freire vem bem de encontro a essas mudancas e sao reflexoes que nasceram muito antes da internet
[16:29:17] <Fiorin> Sem dúvida nenhuma. Temos uma escola do século 19 no século 21. Não me impressiona que ninguém aprenda produzir bons textos. As aulas de português são muito aborrecidas.
[16:29:41] <woodsonfc> Cris, vejo um problema nesse ensinar os gêneros, pois com o ensino massificado e o uso claudicante das novas tecnologias, não alcançamos muitas vezes a ensinar às classes menos favorecidas a língua formal
[16:29:46] <Fiorin> Sim, Cris, mas Paulo Freire não foi assimilado na maioria das escolas.
[16:30:00] <Fiorin> É verdade, Wood
[16:30:10] <Tulio> o que tenho notado em sala de aula é que cada dia os alunos escrevem pior
[16:30:39] <Tulio> talvez pelo excesso de provas de múltipla escolha em todas as matérias e mesmo no vestibular
[16:30:42] <acris> nao foi mesmo. Alias, as escolas hoje em dia oferecem um cardapio muito diversificado de teorias e quase nada na pratica...
[16:30:45] <Fiorin> Deus meu, sou mesmo um velho professor. A discussão está numa velocidade, que depois de uma hora já estou cansado.
[16:30:59] <acris> :)
[16:31:18] <woodsonfc> heheh
[16:31:18] <oheremita> Fiorin: "Temos uma escola do século 19 no século 21." Nunca pensei "ouvir" isto de um grande acadêmico
[16:32:44] <acris> isso me faz lembrar que essas reflexoes sao extremamente comuns no campo da linguistica, mas a maioria das faculdades de letras, que formam os professores de portugues, nao ensina linguistica
[16:33:11] <Fiorin> Mas você não concorda? Veja as aulas de português tratam de uma língua que não tem nenhum ponto de contato com a língua falada pelos alunos. Não pense que eu acho que a escola não deve "melhorar " o nível dos alunos. Acho. Só que precisa partir da vivência lingüística dos alunos. E os cursos de inglês que, ao final de sete anos, conseguem que o alunos não seja capaz sequer de ler um texto simples em inglês.
[16:34:10] <Tulio> o problema é que a escola do século XIX agora produz em série, isto implica em provas de múltipla escolha em excesso... para que o aluno precisa aprender a escrever bem em português se a maioria não usa sequer na escola? Este me parece ser um grande problema...
[16:35:41] <Fiorin> Túlio, acho que você tem razão. Não temos um problema de língua no Brasil, temos um problema de escola. É preciso mudar radicalmente nossa escola. Hoje estamos discutirndo a questão da língua, mas ela diz respeito também às outras disciplinas.
[16:35:49] <Tulio> em relação ao inglês, hoje é infinitamente mais fácil aprender inglês do que quando estudei... há 1001 motivos para usar a língua: a Internet, os filmes que se baixa na Internet e muita vez não se tem legendas, etc
[16:36:09] <woodsonfc> E agora está pior, pois o que se conseguia, ainda com efeitos colaterais bastante ruins, com a coersão do professor, agora não alcançamos nem isso, tão caóticas como são as salas de aula
[16:36:46] <Fiorin> Sim, Túlio. Mas isso não fez o ensino escolar da inglês um milímetro mais eficiente, um tantinho de nada melhor.
[16:36:53] <Tulio> Sala de aula com 60 alunos é algo surreal... não tem como dar certo, mas é preciso produzir em série
[16:37:10] <acris> uma questao que me ocorreu agora foi uma discussao que aconteceu no Texto Livre. Uma professora da PUC de SP disse numa entrevista que os programas com verificador ortografico e corretor gramatical "desensinavam" os alunos a esrever. O que voces acham disso?
[16:37:32] <Fiorin> Está certo. Esses são os problemas de escola.
[16:37:34] <Tulio> Eu concordo... tenho aluno que simplesmente não acentua
[16:37:50] <oheremita> Fiorin: acho que a escola ensina ciência pura (que é a ponta) no lugar de ensinar tecnologia (que é o reultado)
[16:38:01] <Tulio> certamente porque o corretor faz por ele
[16:38:40] <acris> No entanto, se o corretor nao marcar que a ortografia esta errada, o aluno jamais tera qualquer desconfianca a esse respeito
[16:38:57] <acris> afinal, nos generos informais pode-se dizer que esta certo
[16:38:59] <woodsonfc> Eu acredito que o corretor, se bem usado, pode ajudar no ensino da grafia
[16:38:59] <Fiorin> Não concordo, Túlio. O corretor ortográfico ajuda a prevenir erros de digitação. Sempre fazemos revisão dos textos que escrevemos, o corretor é um auxiliar da revisão. O que ocorre de mais sério é que o corretor ortográfico que vem com o Windows tem erros de ortografia.
[16:39:17] <woodsonfc> Fiz isso com o Celular, uma vez na sala de aula
[16:39:42] <oheremita> woodsonfc: concordo
[16:39:45] <Tulio> isso é bem visível quando corrijo textos mais longos... palavras que só admitem a forma acentuada, aparecem sempre corretamente grafada, mas toda secretária aparece secretaria, pois o corretor não consegue diferenciar os dois hehehhee
[16:39:54] <rosemara> concordo com acris, a liberdade também se exercita com a escolha da maneira como se quer grafar uma palavra, mesmo que para isso se vá contra as regras do português.
[16:40:50] <Tulio> o problema que eles se sentem dispensados a aprender as regras de acentuação, pois o editor resolverá 95% de seus problemas de acentuação
[16:40:58] <Fiorin> Afinal, gente. A questão é que a nossa escola tem que lidar com problemas de corretores, etc. Assim como o ensino de matemática tem que lidar com calculadoras. Não podemos parar o mundo. A escola é que tem que se adaptar. Afinal, já diziam os latino: non scholae, sed vitae discimus.
[16:41:00] <acris> o corretor gramatical do OpenOffice pra mim eh o melhor: ele nao so diz que pode estar errado como mostra a regra que estaria sendo violada. Assim a pessoa acaba aprendendo as regras e se torna mais independente
[16:41:09] <woodsonfc> O problema é que há liberdade demais e a exigência em se aprender as regras de menos
[16:41:59] <Fiorin> O problema de criação de monstrinhos, porque não se põem limites, não diz respeito só ao aprendizado de língua, mas a todas as esferas da vida.
[16:42:18] <Tulio> Este tipo de corretor que ensina é muito útil inclusive no aprendizado de línguas estrangeiras. Eu uso muito quando tento escrever em espanhol hehehee
[16:42:39] <acris> eu, como professora de escrita academica, prefiro que os alunos usem o corretor, mas que escrevam muito, muito mesmo. Os casos mais variados vao aparecer e as duvidas e mesmo as criticas ao proprio programa so surgem quando os alunos o usam com consciencia.
[16:42:42] <Fiorin> Afinal, voltemos ao nosso assunto. Acho que todos estamos de acordo que a internet não vai acabar com o português. Nosso idioma vai muito bem.
[16:42:44] <woodsonfc> Fala isso para nossos governantes que tendem a retirar investimento das atividades formais e a investir cada vez mais em projetos mirabolantes
[16:43:31] <oheremita> a "mudança de assunto" aqui no chat nos mostra que a internet não é mesmo culpada, afinal. rssss
[16:43:50] <Tulio> Eu concordo que a Internet não vai acabar com o português... prefiro que eles estejam escrevendo em "miguxês" do que marcando X na alternativa correta
[16:44:01] <acris> sim, Fiorin. O assunto do corretor surgiu porque ele tambem eh uma ferramenta de internet. Existem navegadores com corretor de texto, e-mail, com corretor...
[16:44:51] <acris> e todos eles sao falhos. Como os professores simplesmente os ignoram, os alunos usam indiscriminadamente
[16:44:58] <Tulio> hoje, eles passam mais tempo no Orkut e no MSN que no telefone
[16:45:07] <acris> com certeza, Tulio
[16:45:11] <Tulio> estão exercitando a manifestação escrita muito mais do que faziam no passado
[16:45:27] <woodsonfc> Acho que ela não acabará porque se trata de uma comunidade muito grande de falantes, contudo, não penso o mesmo das outras línguas
[16:45:46] <Fiorin> Não, não acho que estejamos fugindo do assunto. Quando disse voltemos ao assunto,era para lembrar sempre o nosso foco. Veja, se estamos já discutindo questões de ortografia, simplificação da linguagem jurídica, etc. estamos de acordo que internet não liquida os sistemas fônico, gramatical e léxico da língua.
[16:45:47] <woodsonfc> que têm comunidades menores
[16:46:38] <acris> woodsonfc: ai eu me pergunto: o que era a lingua no tempo de Camoes?
[16:46:47] <acris> o portugues morreu porque mudou?
[16:46:52] <Fiorin> O Túlio tem razâo. Nunca se escreveu tanto como hoje. A escola precisa partir desse interesse de crianças e adolescentes para conseguir um ensino de língua mais eficaz.
[16:47:04] <oheremita> woodsonfc: as linguas são entidades vivas, com isto tedem a morrer também, talvez as menores morram
[16:47:20] <Tulio> e creio que vale para o português, mas também para as línguas estrangeiras
[16:47:30] <Tulio> hoje é muito fácil exercitar a língua escrita
[16:48:27] <acris> com certeza. O que eh excelente. O que me impressiona eh a dificuldade de explicar para alguns professores da Letras que dar aulas de escrita - de escrita - num chat eh muito mais produtivo que no quadro negro.
[16:48:37] <Tulio> o wiki talvez fosse uma ferramenta muito interessante no ensino de línguas
[16:48:55] <woodsonfc> Tulio, não é bem assim, não! O exercício do português formal e standard ainda é precário e só alcança uma parcela pequena da população
[16:49:03] <Fiorin> Wood, evdentemente, sempre línguas estão morrendo. Por exemplo, calcula-se que, no Brasil, mais de mil e quinhentas línguas desapareceram desde a colonização. A maioria por destruição física dos falantes. A menos que haja destruição física dos falantes, a razões de permanência ou desaparecimento de línguas são muito complexas. Por exemplo, com a globalização
[16:49:36] <Tulio> Mas o português formal sempre esteve restrito a uma minoria
[16:49:45] <Fiorin> num movimento aparentemente paradoxal estão revivendo, na Europa, as línguas minoritárias (os chamados dialetos na Itália, por exemplo).
[16:49:49] <Tulio> Ouso dizer, no entanto, que esta minoria nunca foi tão grande
[16:50:40] <Fiorin> Isso mesmo, Túlio. Ao contrário dos apocalípticos, acho que o mundo está melhorando. Não tenho que lamentar, tenho que pôr mãos à obra.
[16:50:46] <Tulio> com a chegada da classe C à Internet teremos certamente um decréscimo no nível do português, mas eles estarão exercitando o uso da língua escrita mais do que nunca
[16:50:46] <acris> concordo, Tulio, e isso eh um movimento de democratizacao, pois ter conhecimento da modalidade padrao eh um poder.
[16:51:35] <acris> entao podemos concluir que a internet nao so nao esta acabando com a lingua portuguesa como esta ajudando a melhorar seu uso, pelo menos escrio
[16:51:35] <Tulio> tem muita criança por aí que nunca deve ter escrito uma carta
[16:52:12] <Tulio> se ela não acessa a Internet, não tem para que escrever... trazê-los para a Internet é incentivá-los a escrever
[16:52:27] <Fiorin> Acho que a internet está levando a um uso maior da modalidade escrita da língua. Isso precisaria se tornar um instrumento pedagógico.
[16:52:34] <woodsonfc> Contudo, penso que com a tendência em se aumentar a velocidade das bandas de comunicação,não haveria uma substituição do escrito pelo falado e televisado?
[16:52:55] <Moreira> escrever é muito mais complexo do que saber a norma culta.
[16:52:59] <acris> com certeza.E foi dessa ideia que nasceu o Texto Livre. Mesmo no meio academico, as pessoas ainda escrevem muito pouco
[16:53:03] <Tulio> não creio. O Skype está aí, mas o msn é bem mais usado
[16:53:20] <Tulio> acho que o próprio msn tem recurso de conversação por voz
[16:53:25] <Tulio> mas o chat ainda é mais usado
[16:53:31] <Moreira> e realmente a internte tem sido um bom instrumento para se dedicar a escrita
[16:53:35] <Tulio> não me perguntem por quê...
[16:53:46] <oheremita> o msn tem recurso de voz sim
[16:54:02] <Fiorin> Wood, acho que o escrito não desaparecerá. A tendência é a criação do que se chamam os textos sincréticos, aqueles expressos por várias linguagens. Neles, associam-se língua verbal escrita, falada, música, imagens, etc.
[16:54:45] <Tulio> os blogs também estão proporcionando um renascimento da informação escrita
[16:54:51] <acris> sim, o msn mesmo pode ser usado assim. Ate o skype. Voce pode usar video voz e escrita ao mesmo tempo
[16:54:55] <Fiorin> Qualquer blog minimamente caprichado, mistura música, escrita, imagens, etc.
[16:55:20] <acris> o telefone restringe tudo a fala
[16:56:03] <Fiorin> Pois é, Cris. Quando o telefone apareceu, diziam que ele iria acabar com a escrita, porque não se mandariam mais bilhetes por um portador.
[16:56:14] <acris> ha 20 anos, eu gastava horas com minha mae no telefone. Hoje conversamos (por escrito) no msn. E ela adora aquelas imagenszinhas pupulantes na tela...
[16:56:33] <woodsonfc> Tenho um projeto em que os alunos criam os roteiros de curtas num blog e filmamos em seguida, mas sinto que isso só é feito por alunos que têm facilidade de acesso a escrita e a Internet
[16:56:47] <Tulio> o foco da internet é na comunicação escrita. a comunicação por voz e vídeo ainda é exceção na Internet e creio que será ainda por um bom tempo, por sua própria arquitetura
[16:57:22] <oheremita> De concreto, ao menos para nós, que participamos da criação de conteúdo: cuidar bem do que escrevemos.
[16:57:24] <woodsonfc> O problema da inclusão ainda me parece muito grande e não vejo resultados animadores
[16:58:16] <acris> a minha experiencia mostra que o computador hoje traz de volta a necessidade de escrita. Minha filha nao queria aprender a escrever. de jeito nenhum. Me deixava de cabelo em pe. Ate que dei um computador pra ela, com um linux educativo. Todas as dificuldades que ela encontrou foi porque nao sabia ler... dai comecou a aprender
[16:58:19] <Tulio> Wood, depois veja os relatórios do CGI:
[16:58:21] <Tulio> http://www.cetic.br/publicacoes/index.htm
[16:58:35] <Tulio> não é nada empolgante, mas eu sou otimista
[16:59:07] <Fiorin> Como assim, Wood. Você quer dizer inclusão das grandes camadas da população que estão à margem de um ensino de qualidade, da revolução digital, etc? É isso mesmo? Esse é o verdadeiro problema e não esse catastrofismo de que a internet vai acabar com o portugês.
[17:01:13] <Fiorin> Paramos?
[17:01:29] <Moreira> Firorin, o mais dificil é saber se expressar atraves de textos de maneira coerente, e a internet tem ajudado nisso, pois nela se lê muito e escreve muito, e escrever é prática e leitura, não é?
[17:01:32] <woodsonfc> É esse o problema, Fiorin, fala-se muito e na prática, não estamos alcançando os alunos já excluídos, como deveria
[17:01:40] <Fiorin> Por quê?
[17:01:57] <Tulio> Talvez porque estes alunos excluídos ainda não tenham acesso à Internet
[17:02:32] <woodsonfc> Exatamente isso. Os lab de inf nas escolas são verdadeiras porcarias
[17:02:35] <Tulio> Uma escola hoje na qual os alunos não tenham acesso à Internet está fora da realidade do seu tempo
[17:02:43] <acris> woodsonfc: isso depende de projetos de inclusao. e existem muitos. mas nao somente inclusao digital... eu prefiro chamar de inclusao social. nao adianta colocar o micro disponivel se o suejtio nao sabe fazer mais nele do que jogar joguinhos
[17:02:57] <Fiorin> Tem razão, Wood. Agora, afastar idéias apocalípticas já é um passo para começar a pensar soluções adequadas. Agora, você tem razão, falamos muito mesmo.
[17:03:55] <Tulio> A frebre do Orkut tem contribuído para substituir os jogos
[17:04:17] <Tulio> Eu não vejo mal nenhum nos jogos, desde que evidentmente usados moderadamente
[17:04:18] <woodsonfc> Os alunos acabam quebrando os micros de tanta lentidão para um simples escrever
[17:04:27] <acris> bom, segundo o horario ainda temos meia hora, mas podemos considerar o debate ja de muito bom tamanho e continuar informalmente com quem quiser continuar.
[17:04:36] <Fiorin> Mas pode existir lugar também para os jogos e para o Orkut
[17:04:49] <Tulio> sem dúvida
[17:04:59] <acris> sim, eu nao sou contra jogos nem orkut... nao foi isso que quis dizer
[17:05:09] <oheremita> A quetão da inclusão depende do professor esta preparado para lidar (concorrer) com os outros meios de comunicação e usá-los como suporte e como motivador
[17:05:14] <Tulio> mas a tendência é um aumento no uso do computador pelos jovens
[17:05:29] <Tulio> talvez o primeiro passo é incluir o professor hehehehehe
[17:05:40] <acris> outro dia participei de um debate sobre o que seria um software educativo e a conclusao foi: um software bem usado para um fim educativo, nao importa para o que ele tenha sido criado
[17:06:11] <Tulio> pode-se aprender inglês em um jogo se se prestar atenção aos diálogos hehehehe
[17:06:24] <acris> Tulio: ja ouvi relatos assim
[17:06:52] <Tulio> muitos diálogos vêem inclusive com a legenda em inglês, o que facilita muito o aprendizado
[17:07:07] <Tulio> e como não há a opção em português a curiosidade move o interessado
[17:07:16] <Fiorin> Incluir o professor acho que é a coisa mais necessária. Quero dizer, é preciso mudar a cabeçoa do professor.
[17:07:23] <woodsonfc> Tenho um aluno que é um desafio e que acredito que a saída para ele será o computador, pois ele fica na minha cola para entrar no lab.
[17:07:36] <acris> sim. Mas para as criancas que estao aprendendo a escrever, acho importante as versoes em portugues
[17:07:51] <Fiorin> Sem dúvida, Cris
[17:07:56] <Tulio> sim, mas nesta faixa etária os jogos são diferentes
[17:07:58] <woodsonfc> Só quando assumir integralmente o lab poderei mantê-lo lá e tentar alfabetizá-lo no computador
[17:09:39] <woodsonfc> Penso poder fazer isso no ano que vem
[17:09:41] <acris> Fiorin: a inclusao digital do professor ainda depende de pessoas que veem a internet como o caos. Eu mesma tenho muitas dificuldades nesse sentido. Ja ouvi falar que usar computador em aula da letras eh querer transformar a letras em cursinho de informatica. A meu ver, nos que estamos formando professores, precisamos comecar com os alunos e esperar que, quando eles forem nossos colegas, apoiem projetos como esse, sejam menos preconceituosos
[17:11:10] <acris> em suma, acho que eh preciso paciencia mas tambem teimosia
[17:11:14] <Tulio> incentivar os alunos a produzirem blogs, contribuir na Wikipedia, etc
[17:11:18] <Fiorin> Sabe, Cris, tenho um desânimo muito grande com nossos colegas. O conservadorismo é imperante. Acho que, no fundo, as pessoas têm medo que que o novo as deixe sem pé. Afinal, elas ensinaram ao longo da vida tantas certezas.
[17:11:36] <Moreira> estou com vc professora heheh
[17:11:46] <oheremita> acris: preparar o professor, esse é o ponto
[17:12:14] <woodsonfc> Melhorar os labs também é um ponto crucial
[17:12:33] <Tulio> eu acho até que melhorar os labs seja mais importante
[17:12:40] <oheremita> Fiorin: talvez não seja conservadorismo mas um pouco de preguiça deles
[17:12:46] <Fiorin> Também acho, Eremita. No entanto, os currículos são ainda insensatos: montanhas de disciplinas sem relação umas com as outras, pré-requisitos idiotas, etc.
[17:12:55] <Tulio> se o aluno tem acesso ao computador, bem ou mal ele terá motivos para querer aprender
[17:13:04] <acris> a maioria dos cursos superiores preparam professores. Pelo menos na nossa area, divide-se: as escolas particulares com muita infra e pouca linguistica e as escolas federais e estaduais com o contrario
[17:13:30] <Tulio> é claro que o ideal seria os dois: bons laboratórios com professores atuantes
[17:14:08] <acris> nos do texto livre temos historias incriveis a esse respeito. essa semana mesmo ficamos sem aula porque os computadores levaram mais de 80 minutos pra ligar
[17:14:14] <woodsonfc> senão é melhor mesmo ficar no cuspe e giz
[17:14:15] <Fiorin> Só que a infra das escolas particulares de nível superior são prédios suntuososo, financiados pelo BNDES, a juros subsidiados. Agora, as bibliotecas são horríveis, etc.
[17:14:43] <Fiorin> Como assim 80 minutos para ligar?
[17:15:15] <Tulio> hipérbole, né?
[17:15:17] <Moreira> acabamos não tendo aula ne, ana!
[17:15:23] <acris> sim, Fiorin, e tambem na parte computacional: os professores tem acesso a micros otimos, mas nao sabem o que fazer com eles. Eh, mais de 80 minutos pra ligar. E quando fui reclamar me disseram que o problema sao os professores que ficam pedindo pra instalar programas
[17:15:36] <acris> ou seja: os professores devem usar computadores sem programas
[17:15:45] <acris> foi, Moreira, sem aula
[17:16:11] <oheremita> acris:
[17:16:17] <acris> diga
[17:16:25] <Moreira> kkkk
[17:16:27] <oheremita> acris: Erro na dministração de redes
[17:16:35] <acris> foi o que o leleobhz falou
[17:16:57] <woodsonfc> Pois é, bibliotecas, livros não precisam de programa nem carregamento
[17:17:17] <oheremita> Técnicos cheios de termos técnicos e sem conteúdo, computadores lentos
[17:17:19] <acris> e eh obvio que eh isso: a Moreira contou que no dia seguinte foi o mesmo problema. Dai eles desconectaram os cabos de rede e os micros ligaram... milagres acontecem
[17:17:38] <Moreira> kkkkkkkkkkkkk
[17:17:45] <Moreira> foi mesmo
[17:17:52] <Fiorin> É preciso ainda dizer que estamos no início das possibilidades da internet. Para mim pessoalmente, a grande mudança é a mudança do conceito de biblioteca. É eu ter em casa o que antes era dificíimo. Só para ficar em exemplos modestos: o Domínio Público do MEC, a Bibioteca Virtual da Escola do Futuro da USP, o acerdo do NUPILL da Universidade Federal de Santa Catarina, o Caminhos do Romance e aí vai
[17:18:46] <Fiorin> O Dilson não diz nada?
[17:18:54] <acris> exato, Fiorin: a internet pode trazer as bibliotecas para dentro de sua casa.
[17:19:04] <woodsonfc> Pois é, mas ler na tela e no livro ainda faz uma diferença grande. Imprimir tem um custo exorbitante
[17:19:08] <dilson> Estou ouvindo; isto é, lendo
[17:19:30] <Tulio> o grande problema, ao meu ver, é o velho modelo de direitos autorais
[17:19:39] <woodsonfc> Acho que o Papirus poderá mudar isso
[17:19:44] <Fiorin> Bom, mas quando eu precisava viajar e xerocar um livro e aí quando deixavam... o custo era maior
[17:19:45] <Tulio> poderíamos ter um material gigantesco na net, não fosse este modelo arcaico
[17:20:09] <dilson> Mas em síntese eu concordo com o que tem sido dito; a internet é antes de mais nada um estímulo a mais para que se escreve e isto é, por sí só, do meu ponto de vista, uma coisa excelente
[17:20:31] <acris> bom, eu aprendi a ler na tela e hoje praticamente nao imprimo nada. Acho que isso tambem eh aprendizado. E olha que comecei a insistir nisso so tem 2 anos (desde mexer com linux ate ler na tela para nao imprimir a toa)
[17:20:55] <Fiorin> O processo de digitalização que estava sendo levado a cabo pelo Google parece ter demonstrado que 70% do acervo de uma biblioteca é protegido por direitos autorais.
[17:21:17] <Tulio> isso é um problema imenso e é preciso lutar contra isso
[17:21:39] <oheremita> woodsonfc: Por que as pessoas ainda tem tando preconceito, quanto a ler na tela do computador?
[17:21:49] <Moreira> não sei se acontece com vcs, mas se fico muito tempo em frente ao computador minha cabeça doi
[17:21:55] <Fiorin> Túlio, parece-me que você é advogado. A questão é que os direitos autorais deram liberdade efetiva aos intelectuais. Eles deixaram de ser subvencionados pelos príncipes, pela Igreja, etc.
[17:22:01] <acris> quem lucra com esses direitos? penso que sao mais as editoras que os autores. No entanto ja existem editoras deisponibilizando obras inteiras na internet
[17:22:07] <woodsonfc> Mas que cansa um bocado, cansa
[17:22:09] <dilson> Sobre o portugûes: os Acho que não é preconceito, é que em geral as telas são ruins mesmo
[17:22:10] <Moreira> mas estudando fora do computador não
[17:23:20] <acris> bom, depois de 20h na frente do micro, eu tambem nao aguento...
[17:23:42] <Tulio> Não é bem assim. Os direitos autorais surgem como um monopólio concedido pelo rei ao editor para que ele fiscalizasse e censurasse as obras que não interessavam à coroa publicar hhehehhee
[17:23:47] <dilson> Mas acho que os livros digitais são uma questão de tempo
[17:23:50] <acris> eh verdade, dilson, muda muito conforme a resolucao da tela
[17:23:56] <Fiorin> Acho que os meios técnicos forçarão a uma mudança nos direitos autorais. No entanto, é preciso que o novo modelo não leve à perda da liberdade.
[17:24:19] <Tulio> os intelectuais hoje já estão presos à universidade
[17:24:27] <acris> porque voce acha que poderia levar, Fiorin?
[17:24:49] <Tulio> os 10% de direitos autorais não permitem à maioria viver de escrever livros
[17:25:45] <Tulio> uma meia dúzia ganha dinheiro em excesso às vezes por best sellers de qualidade bastante duvidosa e muitos bons autores passam fome por aí
[17:25:56] <Tulio> não é um modelo bom para o autor, mas para o editor
[17:26:12] <acris> a maioria de nos nem ganha dinheiro com os livros, ganha uma meia duzia de exemplares e so
[17:26:27] <Tulio> a este respeito convido-lhes a lerem o meu:
[17:26:29] <Tulio> http://www.Tuliovianna.org/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=19&Itemid=67
[17:26:30] <Fiorin> Mas direitos autorais não dizem respeito só a livros. Além disso, há os que vivem de direitos autorais. Não posso acabar com os direitos autorais só porque o que o Paulo Coelho escreve é de baixa qualidade.
[17:27:14] <Fiorin> Túlio, você convida a ler o quê? É um texto sobre direitos autorais?
[17:27:22] <acris> claro. mas eu nao acho que colocar o livro na internet va diminuir a venda. Vai aumentar o numero de leitores.
[17:27:32] <dilson> Aliás, o percentual de escritores, de qualquer tipo, que ganham dinheiro com livros é estatisticamente desprezível
[17:27:59] <Tulio> um texto sobre direitos autorais, no qual eu procuro mostrar que eles existem para proteger os editores (gravadoras, etc) e não o autor
[17:28:49] <Tulio> e dos poucos que ganham dinheiro com livros muitos têm obras desprezíveis hehhehehe
[17:29:23] <Tulio> os livros não vão deixar de ser escritos se houver uma reforma na legislação de direitos autorais
[17:29:51] <Fiorin> Você tem propostas para isso?
[17:30:11] <acris> existem diversos casos de pessoas que andam liberando seus trabalhos na internet para aumentar as vendas. Na area de fonetica, nao lembro agora o autor, um livro inteiro foi publicado enquanto ia sendo escrito. Ele recebeu criticas, melhorou o livro, conseguiu deixa-lo conhecido ate antes de terminar e foi um sucesso de vendas
[17:30:31] <Tulio> sim, estão lá no texto
[17:30:44] <Fiorin> Vou lê-lo.
[17:32:37] <acris> na area academica eu acho que todos tem a ganhar se os trabalhos forem publicados na internet. Na area de exatas ainda eh muito comum o preprint. Fazer um preprint significa garantir que voce fez. Porque na internet seria diferente?
[17:33:27] <Fiorin> Acho que poderíamos encerrar. Deu a hora e tenho outro compromisso. Minha gente, foi um prazer muito grande participar dessa mesa-redonda.Espero um dia conhecê-los pessoalmente, principalmente Túlio, Eremita e Wood, que participaram mais..
[17:34:00] <Tulio> Eu também digo o mesmo, Fiorin.
[17:34:12] <acris> Em nome da comissao organizadora, agradeco a presenca de todos
[17:34:25] <Fiorin> Só uma coisa. Revistas acadêmicas publicadas na internet têm uma difusão muito maior do que em papel. Não se justifica mais publicá-las em papel.
[17:34:25] <acris> especialmente de nossos palestrantes: Fiorin, oheremita e Tulio
[17:34:38] <acris> boa lembranca, Fiorin
[17:34:49] <Tulio> Quero convidar a todos também a visitarem meu site: www.Tuliovianna.org
[17:35:02] <Tulio> São textos jurídicos, mas às vezes interessam hahahahaha
[17:35:02] <Fiorin> Clara, não falei da Cris. Porque há conheço há muito tempo. Cris, obrigado pelo convite.
[17:35:26] <Tulio> e mostram como a Internet pode ser usada como instrumento de auxílio ao ensino
[17:35:35] <acris> foi um prazer, Fiorin :)
[17:35:41] <Tulio> Foi um grande prazer pessoal
[17:35:43] <leleobhz> Tulio: depois posso sanar uma duvida em pvt?
[17:35:56] <Tulio> sim, me mande um email: prof@Tuliovianna.org
[17:36:07] <Fiorin> Mue Deus, sou atrasado mesmo. Que será que é pvt?
[17:36:16] <Tulio> private
[17:36:18] <Tulio> hehehehe
[17:36:48] <Fiorin> Até a próxima. Vou sair.
[17:37:02] <Tulio> Também vou nessa!
[17:37:07] <Tulio> Abraços a todos!
[17:37:35] <acris> Abracos a todos!
[17:37:57] <acris> bom, teriamos uma hora mais de debate aberto
[17:37:58] <woodsonfc> Abraço a todos tb
[17:38:13] <acris> mas como ja tivemos debate por duas horas, creio que esta bom, nao esta?
[17:38:17] <Dani_Re> obrigada a todos
[17:38:18] <acris> voces decidem
[17:38:20] <acris> :)
[17:38:25] <Dani_Re> gostei muito das considerações
[17:38:29] <Moreira> abrigada
[17:38:39] <woodsonfc> Gostei tb
[17:38:43] <Moreira> obrigada hahaha
[17:38:51] <Moreira> ja to cansada
[17:38:53] <oheremita> Excelente!
[17:39:00] <dilson> Por mim tudo bem, então não haverá o debate Trilha Hipertexto?
[17:39:08] <acris> Parabens a todos e muitos aplausos :D
[17:39:28] <acris> eh, dilson, acho que podemos ficar por aqui
[17:39:34] <Moreira> foi um dia especial
[17:39:51] <dilson> Já foi bom demais; aliás o debate daria uma super análise!
[17:41:25] <acris> com certeza, dilson
[17:42:48] <acris> bom, como o logzinho nao entrou de imediato, as palestras somente serao publicadas depois, pois tenho que editar o que ficou gravado no meu micro
[17:44:59] <acris> Pessoal, entao vamos encerrar
[17:45:11] <acris> Muitissimo obrigada pela presenca de todos.
[17:45:34] <acris> Assim que estiverem prontos, enviaremos os certificados.
[17:45:35] <dilson> Ok, Ana obrigado pelo convite, mesmo.
[17:49:54] <dilson> Abraços a todos e até mais!